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Entendendo o Triângulo Ofensivo
- Atualizado por:Ricardo Romanelli em 04/&mes/2009
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O Lakers, como todos sabem, joga com o famoso Triângulo Ofensivo, sistema de ataque desenvolvido por Tex Winter, assistente técnico de Phil Jackson.

Este esquema já rendeu 10 títulos na NBA, 6 para o Chicago Bulls e 4 para o Los Angeles Lakers.

É um sistema com muitos méritos, porém com muitas imperfeições. Por isso, é importante que seja muito bem treinado, e que seja executado com jogadores inteligentes e habilidosos.

A primeira versão do Triângulo, ou pelo menos seu “esboço”, veio com Sam Barry, quando era técnico do USC Trojans. Tex Winter era seu jogador durante este período, e foi com Winter como técnico da Kansas State University que o modelo ofensivo se refinou.

Quando Winter passou a compor a equipe do então técnico do Bulls, Phil Jackson, em 1989, é que o sistema passou a ser parte mais proeminente da NBA. Até então, outras equipes usavam algumas movimentações básicas do que era então conhecido como “Triple-post offense”, mas ninguém o fazia em larga escala.

Mas, para estudarmos o Triângulo, vamos primeiro entender sua essência.

A filosofia deste sistema ofensivo é sempre achar a maneira mais simples de atacar a defesa. Por isso, sempre busca bom espaçamento e movimentação da bola envolvendo os cinco jogadores na quadra. Com o Triângulo, não há espaço para Pick and Rolls e jogadas de Isolamento, fazendo deste um sistema atípico para os padrões da NBA.

É um sistema ofensivo, e não um conjunto de jogadas combinadas. Não é um playbook, é um sistema de jogo que força os jogadores a interpretar aquilo que a defesa está fazendo, e reagir de acordo. É por isso que o sistema não usa um armador tradicional, e também por isso que só funciona com jogadores de alto QI de Basquete.

A forma como estes jogadores reagem à defesa é determinada pelas opções do Triângulo. Apesar de cada jogador ter uma posição em que atua melhor dentro do sistema, todos os cinco que estão na quadra devem saber o que fazer em cada uma das opções e em cada um dos cenários que a defesa pode causar, por isso é importante que sejam jogadores versáteis, e a definição de posições não é objeto de preocupação para este sistema.

Depois de apreendido, o Triângulo se torna instintivo. É este o objetivo do treinamento do Triângulo. Os jogadores não pensam na jogada. Apenas fazem o que instintivamente parece certo, tendo em mente os princípios do modelo ofensivo. É por isso que demora para ser ensinado, mas quando o jogador o absorve, sobe de produção de maneira incrível.

A posição básica do triângulo é a seguinte (FIG 1
).


Os armadores ficam pouco acima da linha de três, de frente para a cesta (1 e 2). Os alas ficam pouco acima da linha do lance-livre (3 e 4), que imaginamos estar esticada para melhor compreensão. O pivô sempre fica no low-post, de um dos lados (5), e é isto que define de que lado será formado o Triângulo.

No exemplo da figura, está formado do lado direito. Este é o momento em que a bola chega ao ataque. No momento em que o armador que trouxe a bola faz o primeiro passe, vem a primeira movimentação, e o diagrama se torna algo assim (FIG 2
).

Este posicionamento da FIG 2 é o mais desejado na maioria das posses. O armador que iniciou a jogada corre para a zona morta (1), formando um Triângulo quase eqüilátero. Neste momento, a bola pode estar na mão do ala (3) ou do pivô (5), e é a partir daqui que será tomada a primeira decisão de uma série que pode ser de uma ou várias movimentações até o momento de definição da jogada.

Se sentir que a defesa lhe dá condições, o pivô pode aproveitar o low-post para rápida definição. O ala também pode penetrar se tiver caminho livre. É importante notar a presença do ala e do armador no lado fraco da defesa. Ali, se receberem a bola, atacam com mais criatividade, pois geralmente têm o fator surpresa.

O armador (1) geralmente só recebe a bola novamente se está livre para o arremesso, e esta é uma das formas mais freqüentes de pontuação de Derek Fisher e de Sasha Vujacic, armadores do Lakers.

É importante notar que não necessariamente será o armador tradicional, da posição 1, aquele que vai iniciar o ataque. Pode ser o da posição 2, tradicionalmente conhecido como ala-armador, posição que Kobe Bryant e Michael Jordan mais desempenharam neste esquema.

Também não precisa ser o pivô no low-post. Uma troca de marcação pode fazer com que um ala ou até um armador acabe em posição para ser a ponta do Triângulo que fica mais próxima da cesta, e por isso que é importante reafirmar: é necessário que todos os jogadores saibam desempenhar o papel de seus companheiros na quadra, pois se apenas o pivô souber fazer a posição 5, ou se apenas o armador principal souber fazer a 1, o sistema fica engessado e se torna alvo fácil para qualquer defesa.

Porém, com todos sabendo, o sistema se torna mais flutuante, podendo ser armado a qualquer momento em ambos os lados da quadra, envolvendo quaisquer três jogadores. É este o grande problema que traz para as defesas.

Voltando à FIG 1, imaginemos que o passe inicial se faça da posição 1 para a 3. Neste caso, 1 vai correr para a zona-morta, enquanto que 2 e 4 se movimentarão apenas alguns metros para dentro e para o lado da bola, chegando à FIG 2.

É importante ficar salientado que toda a movimentação só se inicia com o passe inicial para o ala. Por isso, 2 e 4 apenas trocam de lugar após este passe.

O motivo pelo qual o sistema começa com este passe inicial, e não com 1 driblando para dentro, é que 3 tem três opções distintas toda vez que recebe a bola nesta posição. Se a defesa dobrar nele, 1 ou 2 estará livre para o arremesso. Se marcarem perto, para evitar o passe, pode facilmente infiltrar, e poderá chegar até a cesta ou passar para 5, que nesta situação também iria em direção à cesta. Se a defesa lhe der espaço para tentar cobrir os outros, terá espaço para arremessar.

Se o ataque começasse com 1 driblando, a defesa facilmente poderia armar uma trap, ou fechar as linhas de passe e forçá-lo a definir sozinho.

Por causa da importância deste passe, Phil Jackson adaptou o sistema e incluiu o chamado “lag pass”.

Quando a defesa está agressiva com o primeiro passe, o armador que não está com a bola fica alguns passos atrás do que está. Assim, se o passe na lateral não estiver disponível, a bola vai para o jogador da posição 2, que vai iniciar o Triângulo do outro lado. O jogador da posição 5 tem que estar atento, pois 2 e 4 vão depender dele para iniciar o ataque do outro lado nesta situação.

Após a formação do Triângulo (FIG 2), a primeira opção é o passe para a posição 5. Isto porque é a que oferece maior proximidade à cesta, principio básico do basquete.

A partir daí é que tudo começa a acontecer ao mesmo tempo. Existem várias opções, e é por isso que um pivô inteligente e com boa habilidade no passe é essencial para o sucesso do Triângulo.

O pivô vai poder passar para 4, que vai cortar em direção à cesta caso esteja livre (FIG 3
).


Esta movimentação raramente acontece, pois 4 geralmente atrai muita atenção da defesa.

Outra opção envolve 1 cortando por baixo da cesta, chegando ao lado fraco da defesa. 3 faz corta-luz para 2, que toma a antiga posição de 3.

Nesta situação (FIG 4), se 1 e 2 forem bons arremessadores, a defesa vai ter que sair, e abrem-se novas opções de passe para 4 e 5. Se não sair, a defesa será punida com o arremesso de três pontos.

Se o defensor de 2 conseguir acompanhar 2 após o corta-luz, 2 vai em direção de 5, e deixa a bola com o pivô, para então cortar em direção à cesta, para ou receber a bola e finalizar, ou atrair a defesa para que 5 fique sozinho com seu marcador e possa tentar um arremesso de média-distância.

Estas são apenas algumas das várias opções que têm os jogadores. Qualquer coisa é válida, desde que sempre respeitando o espaçamento e obedecendo o princípio de fazer sempre o caminho mais fácil para a cesta. Em trabalhos futuros, analisaremos outras opções do Triângulo com esta configuração.

Caso o lado do Triângulo esteja bem marcado, também existem as opções do lado fraco da defesa, onde encontram-se 2 e 4 inicialmente.

Nesta situação, 2 e 4 terão que usar o jogo em dupla para tentar pontuar. Jogadas como o Pick and Roll não são usadas aqui, pois o jogador da posição 5 teria que se movimentar para permitir que o jogador que faz o corta-luz vá em direção à cesta. O Pick and Pop faria com que o da posição 3 tivesse que sair, a não ser que acontecesse do outro lado.

Qualquer um deles tem sinal verde para definir com uma penetração neste caso, se julgar necessário. Kobe Bryant, para citar um exemplo do Lakers atual, consegue algumas de suas jogadas mais criativas partindo da posição 2 em direção à cesta, quando o time perde as outras opções.

Assim como do lado do Triângulo, as opções aqui são inúmeras, e serão estudadas em momento oportuno.

Outra opção em que é possível penetração, é quando 3 tem a bola na posição inicial. Neste caso, vai em direção à cesta, e 2 abre na linha de três do lado oposto, com 1 e 4 abertos na zona-morta, um de cada lado, enquanto 3 penetra pelo meio.

Aqui, 3 poderá, além de definir a jogada, abrir para 1,2 ou 4 tentarem o arremesso de três pontos, ou passar para 5, que virá no trailer para receber o passe e finalizar ou buscar o rebote ofensivo.

O Triângulo também consegue se armar rapidamente quando o contra-ataque não dá certo. Para isto, é importante que todos os jogadores na quadra saibam fazer múltiplos papéis. Se o time arma o contra-ataque, e para na defesa, os jogadores na quadra imediatamente ocupam a posição do Triângulo que lhes estiver mais próxima, e definem rapidamente, pois se já perderam a vantagem do contra-ataque, ainda têm a vantagem de ter a defesa desarrumada para enfrentar o Triângulo.

Estas são só algumas opções descritas por este trabalho preliminar. O objetivo aqui era mostrar como os jogadores devem se portar na quadra, mostrando o sistema como um todo, e não o dividindo em posições como foi feito anteriormente.

Assim, acreditamos ficar mais fácil visualizar o sistema de maneira geral, e também enfatizar a importância da versatilidade dos jogadores.

Existem mais de 130 opções de jogada em diferentes situações, derivadas da posição da FIG 2. Estas opções serão analisadas em artigos futuros, em bloco, facilitando o entendimento.

Abaixo, um vídeo mostrando três variações descritas neste trabalho.

Primeiro, o Triângulo está do lado direito. Como não há passe para 3 (Bryant), Fisher (1) faz o lag pass para Odom (2). Fisher então cruza, para tentar fazer o Triângulo do outro lado com Odom e Walton (4). Gasol (5), movimenta-se e permite que Bryant penetre, receba o passe de Walton e ponha Gasol, que vinha no trailer, em excelente posição de pontuação.

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COMENTÁRIOS


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ecgboy [ 08/02/10 | 22:06 ]
Nossa, que artigo excelente, parabéns Ricardo... dá pra entender muiito bem.. e eu como jogo handball consigo entender um pouco melhor, pois o famoso engajamento é parecido... obrigado pela explicação..
vascobgs [ 09/08/09 | 13:47 ]
Parabéns Ricardo, lição mais completa impossível. Vejo que Rudy Fernandez seria perfeito nesse esquema: Versátil, inteligente, excelente arremessador, ótimo passador, companheiro entrosado de Paul na seleção espanhola, ou seja, perfeito. Como seria bom ele no lugar do Sasha ...
ARROZ_ [ 07/08/09 | 08:52 ]
Ótimo artigo !!! Apesar de eu já ter um certo conhecimento sobre o que era o triangula (pois já tinha me interessado em ler sobre ele), nunca tinha visto um texto tão bom e tão explicativo como esse !! Muito bom mesmo, dá pra ter uma idéia bem completa de como é a moviemntação com e sem bola... O único problema do triangulo é que limita o armador a praticamente apenas arremessar e também limita as jogadas de isolação do Kobe, que certamente teria muito mais assistencias se ficasse mais tempo com a bola na mão, atraindo a marcação e batendo pra dentro (lebron faz muito isso e sempre consegue achar companheiros livres)... Mas o artigo foi ótimo !!!
Fernando Araujo [ 07/08/09 | 00:37 ]
Excelente artigo romanelli, com ele da pra ver pq alguns jogadores nunca dariam certo no lakers. Jogadores q só sabem fazer uma coisa.
Lotus [ 04/08/09 | 19:52 ]
Otimo artigo! mto bem escrito, mto esclarecedor e d facil entendimento!Simplesmente ótimo! muito obrigado pelos esclarecimentos. Meus parabens á Ricardo Romanelli e a toda a equipe do site!
Thiago Escobar [ 04/08/09 | 17:34 ]
Brilhante, realmente exelente este artigo, parabens Ricardo!!! o interessante é ver como Pau Gasol conseguiu aprender muito rapido e de maneira muito eficiente, o cara é realmente muito inteligente e um ala-pivô completíssimo!!! Dá para perceber que ele e Kobe se deram muito bem
Andre Paschoal [ 04/08/09 | 15:16 ]
Pessoal, este artigo vale a pena! Leiam tudo hein! Parabens Ricardo, está excelente.

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ÚLTIMO JOGO
Segunda, 14 de Abril de 2014

Los Angeles Lakers

119 x 104
 
5º na Divisão do Pacífico: 26 - 55
Draft 2014-2015: 6ª escolha
- vitórias seguidas
Últimas 10 partidas: 2 - 8
Jogos em casa: 14 - 27
Jogos fora de casa: 12 - 28
Próximos JogOS
Qua,16/04 Lakers@Spurs 21:00
* Jogos a partir de meia noite, considere a data da noite anterior.
Estatísticas
Pontos
Pau Gasol
17.4
pontos por partida

Rebotes Pau Gasol 9.8
Assistências K.Marshall 8.9
Roubadas Jodie Meeks 1.5
Tocos Pau Gasol 1.5
FG% Jordan Hill 55.2%
3pts% J.Farmar 45.7%
 
Classificação
Conferência Oeste
1 Spurs (62-19) 6 Warriors (50-31)
2 Thunder (58-23) 7 Mavs (49-32)
3 Clippers (57-24) 8 Grizzlies (49-32)
4 Rockets (54-27) 9 Suns (47-34)
5 Blazers (53-28) 14 Lakers (26-55)

Conferência Leste
1 Pacers (55-26) 6 Wizards (43-38)
2 Heat (54-27) 7 Bobcats (42-39)
3 Raptors (48-33) 8 Hawks (37-44)
4 Bulls (48-33) 9 Knicks (36-45)
5 Nets (44-37) 10 Cavs (32-49)

Classificado para os Playoffs