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    Guilherme Borges

    06 de Julho de 2018 por Guilherme Borges

    Primeiro de Julho de 2018 é a data que os fãs do Lakers vão lembrar por muito tempo. Se você esteve congelado pela última semana, à La Soldado Invernal, e não sabe das últimas notícias, aqui vai um aviso: Lebron James agora é Lakers. Mas é claro, você, fã do LAL, sabe muito bem disso. Após esse home-run, strike, touchdown, chame como quiser, de Magic Jhonson e Pelinka (mas principalmente de Magic), a diretoria angelina fez mais três movimentos na agência livre considerados, no mínimo, “estranhos”. Adicionamos três novos nomes ao time: Rajon Rondo, JaVale McGee e Lance Stephenson.

    O Lakers teve em Lonzo o seu armador titular na última temporada, mas muito se falou sobre a necessidade de um armador veterano reserva para suprir a ausência do garoto, principalmente porque o calouro se machucou muito em seu primeiro ano. Por isso, Rondo. A pergunta que os fãs do time ficaram se fazendo então é: “Mas porque Rondo?”; “Rondo é o melhor ‘encaixe’ para Lebron?”; “Rondo não vai ser um mal exemplo para Lonzo?”; “Rondo não vai roubar minutos de Ball?” e etc, etc. Bom, vamos com calma. Quero trazer dois motivos que justificam a presença de Rondo no Lakers, e quebrar dois mitos no caminho. Vamos?

    Motivo 1: A mentalidade vencedora de Rondo e sua inteligência

    Para ganhar do Warriors é necessário talento, mas também muita inteligência... eu sabia que seria um dos desafios mais difíceis que eu já tive, por causa da força que eles têm, por causa da mentalidade deles. 

    Esses são dois trechos de duas entrevistas de LeBron onde o astro deixou claro duas características que ele gostaria de ver em seus eventuais colegas de equipe: Inteligência e Mentalidade vencedora. Rondo tem os dois. Não só Rondo possui os dois como LeBron James reconhece isso.

    Em sete de junho, em entrevista, Lebron disse:

    Quando você olhava para Rondo, KG, Paul e Ray, você sabia que eles eram ótimos jogadores, mas não só isso, você conseguia ver que eles estavam focados naquilo. Rondo chamava as jogadas todas as vezes, e ai eu pensava 'Ok, isso é maior do que apenas basquete'.

    Em outras palavras, a inteligência de Rondo é famosa em toda a liga.

    Não só sua inteligência, mas também sua competitividade. Rondo foi campeão da temporada 2007-08 com o Boston Celtics, fazendo parte daquele super time com Kevin Garnett, Paul Pierce e Ray Allen. Vale lembrar que o time teve uma parada dura nas finais, enfrentando o nosso Lakers. Rondo não teve dúvidas ao enfrentar Ray Allen, seu antigo companheiro de equipe, quando ele mudou para Miami Heat; também fez questão de dizer que achava que Isaiah Thomas não merecia ter uma homenagem quando fosse jogar no Garden após ser trocado pelo Boston; também enfrentou Lebron mais cedo em sua carreira e sempre quis competir com ele. Não é à toa que Kobe, um dos maiores competidores que o jogo já viu, tinha grande admiração por Rondo, e reconhecidamente gostaria de tê-lo em seu time. O que eu quero dizer é: Rondo não tem medo de Lebron, nem de ninguém. Ele não vai se dar por vencido porque o Warriors adicionou DeMarcus Cousins; ele não vai ficar com medo e sentir a pressão ao enfrentar um dos maiores times que já se formou na NBA. E se precisar, ele até defender os seus companheiros de equipe, como já fez, o que nos leva ao mito número um.

    Mito 1: Rondo é um péssimo companheiro de equipe e será um mau exemplo para os garotos do Lakers

    Esse mito surgiu em razão da trajetória de Rondo. Na temporada 2014-15 o armador foi trocado do time Celta para o Dallas Mavericks, e entrou em certa decadência. A idade, as lesões, a má relação com os técnicos, e o comportamento temperamental renderam ao jogador uma má fama que o perseguiu até o Kings na temporada 2015-16. Contudo, em 2016-17, quando o Jogador foi para o Bulls é que ele voltou a ser um pouco mais parecido com o Rondo do Celtics, e uma situação evidencia isso claramente, e também, demonstra porque ele pode se dar muito bem com os meninos.

    Na temporada 2016-17, o Bulls de Butler, Wade e Rondo perdeu uma partida para o Hawks por 119-114, após ter uma liderança de 10 pontos nos últimos três minutos. Após a derrota, Wade e Butler, dois experientes veteranos, utilizaram as mídias e criticaram abertamente seus companheiros de equipe, inclusive os novatos. Claro, eles (Wade e Butler) tinham feito uma partida espetacular, e tinham razão em estarem bravos, mas a atitude da crítica aberta foi intensamente repudiada pelos noticiários de basquete. O único que saiu em defesa do time foi Rondo através de uma postagem no Instagram onde ele comparou a atitude dos atuais companheiros de Bulls (Butler e Wade) com a dos veteranos que jogaram com ele em Boston (Pierce, Allen e Garnett), rechaçando a atitude dos jogadores de Chicago. Aliás, foi divulgado que os garotos do Bulls admiravam Rondo, sendo que o armador sempre os apoiava, aparecendo para treinos no início da temporada na Liga de Verão, e também nos jogos da liga de desenvolvimento da NBA (D-League). Nada mau para um companheiro de equipe tido como péssimo exemplo, não é?

    Outro ponto importante nessa questão é que, Magic e Pelinka já mostraram que sabem lidar com jogadores que teriam problemas de vestiário, sendo que D’Angelo Russel é o maior exemplo. A diretoria não hesitou em trocar o garoto, sendo que parte da motivação da troca foi justamente o fato de ele não ser visto como um líder e ter tido problemas de vestiário um ano antes com Nick Young. Rondo com certeza vai lembrar, ou então ser lembrado, desse fator.

    Completando, em sua recente passagem pelo Pelicans, Rondo ainda se manifestou por diversas vezes que as estrelas principais do time eram Davis e Cousins e que ele queria fazê-los jogar. Cousins até mesmo disse que “sequestraria o armador para que ele ficasse no Pelicans”.

    Aliás, segundo o repórter Brian Windhorst da ESPN norte americana, Lakers e Lebron estão na mesma página quanto a liderança de Rondo, sendo que ambos reconheceram que o time é muito novo e acreditam que Rondo possa trazer uma liderança além do que a de Lebron. É, talvez ele não seja tão ruim assim.

    Motivo 2: Rondo e Lonzo podem se complementar bem

    Lonzo, até que prove o contrário, tem uma séria dificuldade em arremessar. Rondo também. Como poderiam os dois se complementar, então? Em primeiro lugar, Lonzo poderia finalmente jogar mais fora da bola, algo que ele já exercia em UCLA, seu time na universidade, o que, combinado com a força gravitacional de Lebron que atrai para si as defesas, poderia fazer com que ele melhorasse nos arremessos. Arremessar após receber um passe costuma ser mais fácil do que ter que criar o seu próprio arremesso. Além disso, Lonzo também gosta de jogar fora da bola porque isso facilita também o seu trabalho nas assistências. Fora da bola ele pode olhar a movimentação da defesa adversária, e assim, quando a bola chegar em suas mãos, fazer um passe rápido de acordo com a leitura previamente realizada. O Lakers fez isso algumas vezes no ano passado, contudo, a falta de um armador de ofício prejudicava a eficiência de tal prática. Agora temos um armador de ofício que, por sinal, prende menos a bola do que se acredita, como se verá futuramente.

    Além desse fator tático, existe também, mais uma vez, um fator mental e psicológico. Explico. O estilo de Lonzo foi muitas vezes criticado pela mídia norte americana no ano passado. É que o garoto não é daqueles que mais fala em quadra, e soma-se a isso o fato de que seu estilo, no jargão norte americano, é classificado como “lay back”. Traduzindo, as vezes ele parece meio relaxado demais, muito tranquilo, como quem não se conecta ao jogo. Vale lembrar a vez em que ocorreu uma briga durante um jogo na temporada passada e Lonzo se dirigiu ao banco como se nada estivesse acontecendo, as críticas só aumentaram. Não, Lonzo não aprenderá a ser briguento, nem um causador de problemas porque o perfil dele não é assim. O que Rondo pode demonstrar é que, algumas vezes, a posição de armador exige uma liderança mais expressiva, mais falada, e uma atitude que seja mais evidentemente competitiva para que os demais companheiros de equipe sintam-se motivados. Rondo sabe fazer isso muito bem. E pode mostrar um pouco disso para Ball, já que é algo facilmente alterável.

    Mito 2: Rondo irá roubar minutos de Lonzo e vai ensiná-lo a ser um armador que prende demais a bola

    Esses mitos são extremamente absurdos, mas, por incrível que pareça, muitos entendedores do jogo caem nessas falácias. Primeiro, é impossível que Rondo roube minutos de Lonzo. Porque? Bom, números. Ano passado, Lonzo Ball jogou aproximadamente 34.2 minutos por jogo, o que é relativamente alto. O problema é que o armador perdeu 30 jogos em razão de lesões o que faz com que ele jogasse apenas 52 partidas, totalizando assim, 1780 minutos em quadra na temporada toda. Se considerássemos que o menino jogaria a mesma quantidade de minutos totais nos 82 jogos essa temporada (o que é razoável assumir já que ele é novo e deveria poder jogar todos os jogos), teríamos uma média de 21,7 minutos por jogo, o que é bem baixo. Ou seja, se Lonzo jogar mais do que 21,7 minutos por jogo, jogando todos os jogos, ele estaria menos minutos em quadra por jogo, contudo, teria ficado mais minutos em quadra no total. Aliás, quando observamos os minutos de Rondo, a conta fecha. Se Rondo jogar a mesma quantidade de minutos do ano passado, e estiver presente em todos os jogos, ele jogaria 20,7 minutos por jogo. O jogo, no total, possui 48 minutos, ou seja, Rondo jogaria 21 e Lonzo 27, portanto, mais do que a média estipulada, e assim, mais minutos do que ano passado. Vale lembrar: não é recomendável que o jogador fique em quadra o jogo todo.

    Sobre ensinar Lonzo a ser um armador que prende demais a bola: Primeiro - Lonzo foi criado como um jogador que prende pouco a bola e que envolve o time. Luke Walton joga assim, e Magic gosta que o time jogue assim. Não, um jogador, em uma temporada não tem a capacidade de mudar algo tão enraizado em um garoto e no time como um todo. Repare que aqui é diferente da questão da liderança. Aquilo seria uma mudança eventual de atitude. Aqui estamos falando de mudar quem Lonzo é e cresceu sendo. Mas vamos supor que Rondo tenha essa poderosa magia de mudar o perfil de um garoto e a mentalidade da franquia. Será que ele realmente prende demais a bola? Segundo o analista Reed, não. Segundo ele, dos 114 armadores que jogaram mais de 20 minutos por jogo na temporada passada, Rondo foi o 51º em média de segundos por toque (4.08 segundos) e 56º em dribles por toque (3.44). Com esses números, ele segurou bem menos a bola do que outros armadores, como Harden, Wall, Westbrook e CP3, por um exemplo, que possuem média de 6 segundos e 5 dribles por toque na bola. Reed ainda demonstra que Rondo está mais próximo de Lonzo do que se imagina nesses quistos, já que o garoto possui 3.82 segundos e 2.94 dribles de média por toque.

    Não, Rondo não é o melhor dos chutadores. Ele também é muito criticado por caçar estatísticas. Mas isso não significa que ele não seja o cara ideal, e que ele também não possa adicionar nada. Se Lonzo desenvolver melhor seu arremesso, nós já teremos nele um armador chutador, seria desnecessário, então, possuir dois jogadores com características idênticas. Lebron não pode ser limitado a um cara que precisa INVARIAVELMENTE de arremessadores em seu time (isso tem mudado). Rondo veio para ser o que Lonzo não pode ser agora: um armador experiente, com um espírito competitivo invejável e que é bem respeitado por Lebron e pelo restante da liga, sendo capaz de “aguentar o tranco” em qualquer situação em que ele é colocado. Vocês preferiam Curry? Eu também. Mas dos disponíveis e que atendiam as necessidades de liderança que precisamos, Rondo era o melhor deles.

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