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    Rodrigo da Costa

    05 de Setembro de 2018 por Rodrigo da Costa

    Após fazer a pior campanha da temporada 1974–75, o Los Angeles Lakers sabia o que era necessário para voltar aos trilhos: assinar com uma estrela. Em 1975, Kareem Abdul-Jabbar, o pivô que dominava a liga, foi contratado pela franquia. Porém, o objetivo de retornar aos playoffs na temporada 1975–76 não foi alcançado.

    Kareem Abdul-Jabbar foi MVP na primeira temporada vestindo as cores Purple and Gold, e também em 1976–77, quando o Lakers teve a melhor campanha geral da NBA e foi varrido nas finais de conferência para o Portland Trail Blazers de Bill Walton - que foi MVP Finals na finalíssima contra o Philadelphia 76ers.

    Mesmo sendo liderado por Kareem Abdul-Jabbar, faltava algo no Lakers. Em 1979–80, o armador Earvin ‘Magic’ Johnson foi a escolha da franquia no NBA Draft. Era a peça que faltava. Magic sabia o que era necessário fazer e logo na primeira temporada da carreira contribuiu para Abdul-Jabbar conquistar o 6º MVP da carreira, além de liderar a equipe na final contra os Sixers, incluindo uma das maiores performances individuais das finais da NBA - fez 42 pontos, 15 rebotes e 7 assistências no jogo 6, atuando como pivô no lugar do MVP, que estava lesionado.

    Um vencedor será sempre um vencedor

    Magic Johnson era a peça que faltava para o Lakers retornar ao topo da NBA nos anos 80. Foram oito finais entre 1980 e 1989, além de quebrar o tabu contra o Boston Celtics, incluindo uma histórica vitória no Boston Garden - feito até então inédito diante do maior rival nas finais. Muitos anos depois, Magic volta a ser a peça que faltava no Lakers, mas desta vez fora das quadras.

    Desde a lesão no tendão de Aquiles de Kobe Bryant em 2013, o Lakers agonizava no fundo do poço com as piores campanhas da liga. Em 2015–16, fez a pior campanha de sua história com apenas 17 vitórias em 82 jogos. Porém, em fevereiro de 2017, a decadência causou mudanças drásticas na direção e o Lakers voltou a respirar sem aparelhos.

    Jeanie Buss, filha do falecido dono da franquia, assumiu o lugar do irmão Jim Buss no comando da franquia e demitiu o general manager Mitch Kuptchak, e promoveu Rob Pelinka, que foi agente de Kobe Bryant, ao cargo. Além disso, nomeou Magic Johnson como o presidente de basquete da franquia. Assim como em 1979, quando chegou como apenas um rookie, Magic sabia exatamente o que fazer para o Lakers voltar ao topo da NBA.

    Mas desta vez a tarefa de Magic Johnson custaria mais tempo. Mitch Kupchak deixou como herança dois péssimos contratos firmados com o pivô Timofey Mozgov e o ala Luol Deng, que comprometeram o teto salarial da franquia. Para se livrar do center russo, o Lakers precisou ceder D’Angelo Russell, 2nd pick do NBA Draft 2015, mas em troca recebeu o pivô Brook Lopez e uma pick 1st round - que foi usada para selecionar Kyle Kuzma.

    Na primeira temporada completa de Magic Johnson como presidente da franquia, o Lakers teve campanha de 35 vitórias e 47 derrotas (.427%) e mostrou um basquete competitivo com um elenco recheado de jovens promessas como Lonzo Ball, Jordan Clarkson, Brandon Ingram, Kyle Kuzma, Larry Nance Jr, Josh Hart, Julius Randle, etc. Na metade da temporada, Clarkson e Nance Jr foram trocados e o Lakers conseguiu flexibilizar a folha salarial, abrindo espaço para assinar dois contratos máximos na offseason de 2018. Porém, o contrato de Luol Deng continuava sendo um empecilho.

    A hora da virada

    Na offseason de 2018–19, o Lakers tinha dois trunfos que poucos possuíam: uma folha flexível e um dos young core mais poderosos da liga. Porém, apenas o Lakers possuía Magic Johnson. Com apenas 1 ano e meio na presidência de basquete da franquia, Magic acertou um contrato de quatro anos por US$ 154 milhões com LeBron James. Era a peça que faltava. E Magic sabia disso desde o início.

    O Lakers ainda tinha espaço para assinar outro contrato máximo, porém, Paul George optou por permanecer no Oklahoma City Thunder e DeMarcus Cousins assinou pelo mínimo com o Golden State Warriors, frustrando os planos da franquia. Restou rechear o elenco com jogadores experientes, como Rajon Rondo, Lance Stephenson, Michael Beasley e JaVale McGee, visando uma evolução dos jovens e cumprir o primeiro objetivo: retornar aos playoffs após cinco temporadas.

    Neste sábado, dia 1 de setembro de 2018, Magic Johnson e Rob Pelinka conseguiram mais uma vitória no comando da franquia: se livraram do contrato de Luol Deng. O ala, que jogou apenas 13 minutos em 2017–18, entrou em acordo com o Lakers pelo buyout via ‘waive and stretch’. Além disso, Deng abriu mão de US$ 7,5 milhões do contrato e, desta forma, o Lakers terá US$ 38 milhões para gastar na offseason 2019, que contará com free agent’s como Jimmy Butler, Klay Thompson e Kawhi Leonard - que já declarou o interesse de assinar com o Lakers.

    Assim como em 1979, Magic Johnson era a peça que faltava. Uma lenda eternizada na franquia e na liga. Magic conhece a cultura do Lakers e sabia que era necessário organizar a casa para atrair um free agent em 2018 ou 2019. Assinar com LeBron James era o melhor cenário possível e aumenta a possibilidade de acertar com outra estrela no verão do ano que vem. Magic colocou o Lakers nos trilhos rumo ao título mais uma vez e é só questão de tempo para a franquia retornar ao topo da NBA.


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