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    Rennan Vieira

    03 de Setembro de 2018 por Rennan Vieira

    Com quase 2,08 m de altura, 2,21 m de envergadura e 2,80 m de alcance em pé, Ingram tem medições que o projetam mais como um pivô do que um ala, por isso é um jogador tão singular na NBA. Depois de uma temporada de calouro com bastante dificuldade, Ingram teve um crescimento considerável como segundo-anista, algo que demonstrou desde sua impressionante e única partida da Summer League onde fez 26 pontos contra o Clippers.

    E seu desempenho até agora na NBA é notável. Depois de duas temporadas ainda é um jogador com um teto incalculável, sabe utilizar bastante sua envergadura pra atacar o garrafão e tem capacidade apreciável de driblar e armar o jogo pra um jogador da sua altura, não é à toa que são poucos jogadores na história da NBA que tem a mesma quantidade de pontos, rebotes, assistências, roubos de bola e bloqueios igual Ingram até os 20 anos de idade: Kobe Bryant, LeBron James e Kevin Durant.

    Durant e LeBron foram os dois únicos com os mesmos números em apenas duas temporadas.

    Isto posto, o que podemos esperar desse jogador que ainda só tem 21 anos e está indo para sua terceira temporada na NBA ?

    BALANÇO DE SUAS DUAS PRIMEIRAS TEMPORADAS

    Ingram teve uma temporada de calouro bem complicada, sofreu por não ter um físico adequado e ficou no banco em 39 dos seus 79 jogos devido a contratação de Luol Deng, que tinha acabado de receber um contrato milionário. Teve médias modestas e foi pouco efetivo em quadra: 9,4 pontos, 4,0 rebotes, 2,1 assistências, 0,6 roubos de bola, 0,5 toco com aproveitamento de 40,2% nos arremessos, 29,4% dos três pontos e 62,1% da linha do lance livre.. Como segundo-anista teve um salto enorme, sendo o cestinha do time ao lado de Kyle Kuzma: 16,1 pontos, 5,3 rebites, 3,9 assistências, 0,8 roubo de bola e 0,7 toco por jogo, com aproveitamento de 47,0% nos arremessos, 39,0% na linha de três pontos e 68,1% nos lances livres.

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    Com um impacto negativo demonstrado em quadra como calouro, Ingram teve uma ascensão imensa quando adquiriu mais confiança e um físico superior na sua segunda temporada, tanto que subiu de 34% pra 45% em frequência de ataque em direção a cesta, um dos motivos do aumento de eficiência ofensiva. E sua evolução não foi apenas como pontuador, tanto mostrou que pode ser um grande fator armando o jogo. Durante treze jogos consecutivos em que Lonzo Ball esteve fora de quadra, Ingram atuou como armador e teve médias de 16,5 pontos, 4,8 assistências, 4,5 rebotes em 32,7 minutos por jogo, com 46,5 % de aproveitamento nos arremessos e 44% nas bolas de longe. Entre 26 de Janeiro até o final da sua temporada, Ingram teve 5,3 assistências por jogo (quase 6,0 per 36 minutes) e se tivesse esses números durante toda sua temporada, seria o sexto ala  em assistências por jogo na NBA.

    EVOLUÇÃO NOS DOIS LADOS DA QUADRA

    Além de crescer ofensivamente, Ingram evoluiu de forma considerável como defensor. ESPN utiliza uma ferramenta chamada Defense Real Plus-Minus que é o impacto estimado do jogador em quadra sobre o desempenho defensivo da equipe. Em sua temporada de calouro, Ingram ficou em 70º entre 73 jogadores com um DRPM de -2.93, esse número subiu pra -0.28 e ficou em 52º entre 89 jogadores como segundo-anista, superior a jogadores como LeBron James, Kevin Durant, Wilson Chandler, Tobias Harris, Khris Middleton e Harrison Barnes.

    INGRAM E LEBRON

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    É verdade que LeBron James pode atrapalhar o desenvolvimento de Ingram? Muito pelo contrário!

    Pelo que demonstrou na sua segunda temporada, é um jogador que cresce bastante em eficiência ofensiva quando tem alguém que facilita o jogo ao seu lado:

    Ingram com Lonzo em quadra: 18,4 pontos/36, 47,7 FG%, 40,4 3P%
    Ingram sem Lonzo em quadra: 16.2 pontos/36, 46,3 FG%, 37,5 3P%

    Não é nenhuma novidade que o LeBron é um dos maiores facilitadores da NBA, tanto que ficou em segundo em assistências por jogo na última temporada. E ao contrário do que pode parecer, Ingram foi um jogador que teve os melhores números ofensivos na última temporada finalizando em transição e jogando ”off-ball”, ou seja, em situações favoráveis onde pegou a bola no perímetro tanto pra arremessar quanto pra atacar a cesta sem ter que driblar o marcador.

    O QUE PODEMOS ESPERAR DE BRANDON INGRAM ?

    Mais do que um pontuador como era projetado quando entrou na NBA, Ingram vem se tornando cada vez mais um jogador completo. Nos últimos meses vem treinando com o Micah Lancaster, treinador responsável pela mudança na carreira do Victor Oladipo quando saiu do Oklahoma City Thunder para o Indiana Pacers, onde tornou-se All-Star e um dos melhores jogadores de sua posição na NBA.

    E como demonstrado anteriormente, Ingram é um jogador mais eficiente com um facilitador em quadra. Na última temporada, o atleta só esteve em quadra com Lonzo por 39 jogos e agora com a adição de LeBron e Rajon Rondo, vai ter três dos melhores facilitadores da NBA ao seu lado.

    Ainda não é um grande defensor, só que vem evoluindo constantemente nesse sentido principalmente aprendendo a utilizar sua envergadura de 2,21 m, tanto que com a mesma experiência de outros alas, está entre os melhores em percentuais de arremessos bloqueados, superior até mesmo a jogadores considerados defensores de elite.

    Entre os cinquenta e sete calouros da história que tiveram 1.500+ minutos e -3,5 Box Plus/Minus, apenas treze tiveram um Box Plus/Minus de -1,5 ou melhor no segundo ano. Ingram é um desses jogadores e cinco dos outros doze foram All-Star pelo menos uma vez. Talvez ainda não seja um All-Star de imediato, o que não seria um absurdo porque outros alas All-Stars como Giannis Antetokounmpo, Jimmy Butler, Gordon Hayward e Kawhi Leonard também não foram na terceira temporada, mas Ingram tem todas as ferramentas pra ser considerado em um futuro breve, principalmente se Luke Walton souber identificar e trabalhar seus pontos fortes. É um grande candidato a brigar pelo MIP (Most Improved Player) na próxima temporada e deve ser o principal companheiro de LeBron no Lakers.

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