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    Ricardo Romanelli

    29 de Janeiro de 2019 por Ricardo Romanelli

    Aconteceu aquilo que toda a NBA esperava há meses: Anthony Davis pediu para ser trocado do New Orleans Pelicans. AD é um jogador que figura, no mínimo, entre os cinco melhores da NBA. Com apenas 25 anos, o pivô ainda tem todo seu auge pela frente, o que faz dele um atleta que absolutamente todas as franquias da NBA desejariam ter em seu elenco. O Lakers, é claro, não é exceção. Mas como, num mercado tão concorrido, Magic Johnson e Rob Pelinka poderiam trazê-lo para L.A?

    Timing do Pedido

    O momento em que Davis e seu empresário fizeram o pedido de troca é, no mínimo, curioso. Faltando dez dias para o final do período de trocas, não é segredo que o Pelicans gostaria de esperar a temporada terminar e negociar o atleta na offseason. Isso porque o Boston Celtics, que tem vários jogadores jovens e escolhas de Draft para ofertar, não pode propor um negócio agora. A regra se chama “Rose Rule”, criada em alusão a uma extensão contratual assinada por Derrick Rose pelo Chicago Bulls. Para resumir: através desta regra, as franquias podem assinar extensões com jogadores em seus contratos de calouro acima do padrão salarial para este tipo de extensão, desde que os atletas alcancem alguns parâmetros mínimos. Enquanto estiver com um jogador com este tipo de contrato no time, a franquia não pode adquirir outro com o mesmo tipo de vínculo. Kyrie Irving e Anthony Davis estão, atualmente, com este tipo de contrato vigente, e por isso o Celtics só poderia fazer uma oferta na offseason, quando Kyrie se torna agente livre.

    Além disso, esperando a offseason, o Pelicans poderia negociar com a equipe que ficasse com a primeira escolha do Draft, por exemplo, além de outros times que não tiveram sucesso nos playoffs e poderiam estar mais dispostos a trocar peças de valor. O pedido de troca neste momento, portanto, é uma estratégia clara para forçar a mão do Lakers para fazer a melhor oferta possível agora. O empresário de Davis é Rich Paul, que é empresário de LeBron James e amigo de longa data do astro, tendo iniciado a carreira como agente de atletas da NBA com apoio e patrocínio de LeBron. O momento do pedido, portanto, não é coincidência.

    Nenhuma decisão é fácil

    Mas é claro que, mesmo com uma ajudinha de Rich Paul, falta combinar com o Pelicans. E é aí que a coisa complica. A franquia de New Orleans sabe que a melhor oferta que o Lakers fizer agora também vai estar disponível na offseason, quando o Celtics e outros times podem ter mais armas para trazer ao jogo. Por isso, a primeira reação do time de New Orleans seria esperar para ter um panorama completo na offseason.

    Apesar disso, O Pelicans tem duas questões sérias para levar em consideração. Em primeiro lugar, o passado de lesões de Davis. Mesmo que tenha se mantido relativamente saudável nas duas últimas campanhas, ele tem um passado tenebroso com lesões, tendo jogado mais de 70 jogos em apenas duas das sete temporadas que disputou na carreira. O risco do Pelicans esperar é o de Davis sofrer alguma lesão mais séria que deixe os outros times em dúvida sobre sua aquisição, e ele acabe saindo de graça como agente livre em 2020. Ademais, fechando o negócio agora, o time melhora sua posição no Draft já em 2019, acelerando o processo de reconstrução. Por fim, Davis possui uma cláusula de trade kicker em seu contrato. Com este tipo de cláusula, o time é penalizado financeiramente se trocar o atleta. Esta multa seria de US$ 5 milhões, e Davis poderia abrir mão dela caso sinta que a franquia atendeu seu pedido de maneira satisfatória, por exemplo, então é um incentivo a mais para o Pelicans cooperar com o jogador.

    Quanto custaria?

    Diante de tudo isso, sabendo das dificuldades do negócio, vem a pergunta mais complicada. O que o Lakers precisaria enviar para ter AD? Basicamente, quase tudo.

    Como falamos, Davis é um jogador top5 da NBA com apenas 25 anos de idade. É um atleta que catapulta qualquer time a outro patamar apenas com sua chegada. Muitas franquias poderiam trocar seu melhor jogador por ele e ainda assim melhorariam. É uma situação mais ou menos como a do Toronto Raptors quando adquiriu Kawhi Leonard: trocou seu astro DeMar DeRozan por ele e ainda assim o time melhorou, porque esse é o nível de atleta que ele é. Davis está neste mesmo patamar. Muitos bons times de playoffs poderiam trocar seu melhor jogador por ele e melhorar, especialmente os do Leste, onde um bom elenco de apoio com um jogador deste calibre coloca o time automaticamente em condições de disputar uma vaga nas Finais da NBA.

    O Lakers precisa, então, que o Pelicans esteja disposto a apostar numa reconstrução baseada em jovens talentos, contratos expirantes e escolhas de Draft, pois é aí que um pacote fica interessante. Davis ganha, atualmente, pouco mais de US$ 25 milhões, então é certo que o contrato expirante de US$ 12 milhões de Kentavious Caldwell-Pope faria parte de qualquer negócio. A partir daí, alguma combinação entre os jovens entre Brandon Ingram (US$ 5,7 milhões), Lonzo Ball (US$ 7,4 milhões), Kyle Kuzma (US$ 1,6 milhões), Josh Hart (US$ 1,6 milhões) e Ivica Zubac (US$ 1,5 milhões) deve completar o pacote, além de pelo menos um ou duas escolhas de Draft.

    O preço é salgado? Parece, mas Anthony Davis vale esta pedida. Primeiro porque a chance do Lakers fechar o negócio é agora. Segundo porque, sem dúvidas, outras franquias farão ofertas que, sobre outras perspectivas, seriam até melhores que a do Lakers, e por isso é necessário convencer o Pelicans de que o melhor caminho para reconstrução é apostar em juventude e contratos expirantes.

    Magic Johnson e Rob Pelinka já se reuniram em Los Angeles para debater a estratégia que vão adotar nos próximos dias para conversar com o Pelicans, e a situação promete muitas emoções até o próximo dia 07 de fevereiro, data final para trocas na atual temporada. As últimas atualizações sobre o tema, é claro, você sempre encontra aqui no Lakers Brasil.

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